Friday, January 19, 2007

A Insustentável Leveza do Silêncio

Às vezes, é no meio do silêncio, que descubro afinal quem eu sou... assim era, tantas vezes, com esta canção, de Maria Guinot, que, em tempos, alguém me preparava para dormir...

Curioso,...ouvi recentemente esta canção e, desde então, dou comigo, a ouvi-la e a perder-me naquele aflitivo grito "e troco a minha vida por um dia de ilusão....e troco a minha vida por um dia de ilusão...

A Insustentável Leveza do Silêncio,...onde procuro a História daquilo que eu sou, onde procuro cá dentro, um lugar a salvo, onde possa refugiar-me, para onde correr, quando nada parece fazer sentido, quando se fica sem saber o que fazer... quando se fica mais perdido...

É na Insustentável Leveza do Silêncio que escolho para onde vou, onde procuro um tempo, um espaço, onde possa demorar, onde me possa refazer do que a vida me vai fazendo...

Oh Silêncios que nos obrigamos a ter e que nos fazem desesperar, que nos fazem gritar "e troco a minha vida por um dia de ilusão...e troco a minha vida por um dia de ilusão..."

Silêncio e Tanta Gente é o tema...quantas vezes?
Tanta gente...tantos silêncios...

E não é assim?
Rodeados de gente, a representar aquilo que aprendemos e que sempre quizemos ser?...
E, depois...é no meio dos silêncios que vivemos a história daquilo que somos!

E é na Insustentável Leveza do Silêncio que me apetece dizer....
Que os silêncios encerram o mais profundo dos mistérios, tentar desvendá-los, é provocar loucuras, tentar evitá-los é privarmo-nos de momentos de sanidade, é privarmos de nos conhecermos.

Tuesday, December 26, 2006

Desafios...

Se acreditamos que a vida inteira é uma viajem, então importa conhecer a bagagem que carregamos…
Todos temos um “Chip Pessoal”, uma originalidade que nos compete descobrir, uma maneira muito própria de reagir aos desafios da vida…
Ser honestos connosco e com os outros, é termos consciência desta originalidade, desta singularidade que nos distingue…

São vários os desafios, com os quais, ao longo da vida, nos vamos encontrando e, por vezes, a certa altura, desencontrando.
È certo que muitas vezes estamos cansados desses desafios, às vezes, parece que o mundo inteiro conspira para nos ver errar e, em cada segundo que nos distraímos, tudo se desfaz nesse instante.

Pois bem,…
Talvez, então este seja o maior dos desafios…
O aceitarmo-nos a nós próprios como somos, dar-nos o direito de não se ser perfeito, de poder falhar, de não corresponder às expectativas seja lá de quem for.
O desafio…é conquistarmos e mantermos sentimentos de pertença, que nos salvem da nossa força e nos acolham na nossa fragilidade.

E digo salvar da nossa força,…porque é muito cómoda a falsidade da vida adulta,…o grande evocar da maturidade,…o salvar aparências perante circunstâncias.
Haja, então, quem nos salve de nós próprios, desta força que nos obrigamos a ter e a mostrar para sobrevivermos condignamente a tudo à nossa volta…
Haja, quem nos dê tempo e espaço para desesperar, agonizar,…descompensar,…haja, quem nos permita sermos verdadeiros connosco,…haja,…quem nos salve da nossa inteligência emocional e nos deixe, nem que por breves segundos, mostrar ao mundo, que nos corre sangue nas veias, que temos sensações frias na barriga, sensações de ansiedade que nos assaltam e nem sempre queremos controlar…

Afinal…quanto vale a vida trivial que levamos, quanto custa viver aquilo em que se acredita, quanto custa ganhar e perder…
Sabemos tão pouco e queremos ter tanto, queremos ser tudo,…controlar tudo.

Se procurarmos entender este mundo, percebemos que aqui, tudo se move por ciclos e que o bom e o mau, o alegre e o triste, vão-se revezando na orientação da nossa vida…então o que nos resta, o desafio a que nos devemos propor, é o de procurar aquilo que é eterno em nós, aquilo que nos distingue, nos torna únicos e sempre que consigamos, verdadeiros connosco, genuínos na nossa essência …

…pois como diz uma velha profecia índia “o abismo existe para nos recordar que sabemos voar”…

Falemos de Almofadas...

Sim,…
Porque são nelas que muitas vezes nos rimos, choramos, nos confortamos…
…porque são nelas,..que sonhamos…recordamos, partilhamos…
…porque são nelas que nos escondemos, nos procuramos e nos reencontramos…
…porque são nelas que acreditamos, desistimos, pedimos tanto….

Sim,…
São nelas que nos reconfortamos,..são nelas…que, em tantas vezes, desesperamos e, nelas muitas vezes, decidimos recomeçar e recomeçamos…

A elas,…
…nos confessamos, nelas rezamos e, quantas e quantas vezes vacilamos...

E não são nelas, que esperamos, agonizamos, duvidamos?...
Talvez as almofadas…sejam aquele abismo em que nos lançamos de livre vontade…convencidos de que… depois de acordarmos…ousamos levantar-nos, com a certeza de que, ao querermos, tudo vamos superando...

Wednesday, December 13, 2006

Meu Deus! Que impiedoso é o Tempo!

É certo que muitas vezes é o tempo que nos ajuda a cicatrizar feridas, a relativizar problemas, a suplantar fragilidades.
E aí, aparece-nos como que um escape, uma fuga, um refúgio...um porto seguro...

Mas...não será também o tempo...uma prova de resistência?...
Afinal de quanto tempo precisamos para nos adaptarmos, para mostrarmos algo,...para nos conhecermos...

Por vezes, temos sintomas de saudades "do tempo"...às vezes, queremos que ele passe,...outras que ele pare...ou pelo menos, que de vez em quando, nos permita fintá-lo, nem que por breves segundos....

Impiedoso, não é?

Mas o mais terrível é que o "tempo" anda de mãos dadas com a vida,...com aquela vida que acontece...enquanto, muitas vezes, estamos ocupados a fazer planos...a perder tempo...

E com tantos planos, esquecemo-nos que mais importante que "ganhar asas" é "criar raízes"...a dimensão dos outros,...a consciência dos afectos em nós mesmos e na relação com aqueles com quem nos cruzamos,...as pequenas coisas que nos engrandecem e que nos permitem encontrar o mesmo prazer quando se dá e quando se recebe....

Prazeres...que se vivem em tempo real...porque na vida, qualquer tentativa, qualquer ensaio, esboço, ou rascunho...já é o palco , a tela ou o livro com a nossa história, autentificada pelo nosso percurso...aquele que se faz no "tempo"...

Wednesday, November 29, 2006

O meu Adeus....

Este é o jornal das 12 horas com Lígia Cruz e desta vez....sem o Germano Pacheco....

Desta vez sem ti Germano, logo sem ti, que me trouxeste para esta casa. Dizias constantemente que me passavas o testemunho, nunca te ouvi....não queria saber dessas palavras para nada Germano...

E agora....o que é que eu faço...a quem é que eu pergunto tudo aquilo que ainda não sei e que só tu me ensinavas....com quem é que eu desespero agora....

Nunca pensámos que fosse tão depressa....
Mas sabes Germano....tu soubeste viver...tu soubeste sentir....

Tu encarnaste aquelas sábias palavras de Florbela Espanca....lembras-te Germano....

“E se um dia eu hei-de ser pó, cinza e nada...que seja a minha noite uma alvorada...que me saiba perder para me encontrar...”

E assim foi a tua vida...uma constante alvorada...tu deste ao teu corpo todos os prazeres que ele te exigiu...usaste-o...desgastaste-o, até ao limite suportável...

E a morte Germano....quando veio....nada de ti levou....

Vingaste-te Germano....ganhaste... e só por isso te perdou me teres deixado tão cedo....

Deixaste obra feita...e ainda foste a tempo de assinares a minha carteira profissional de jornalista...estou tão orgulhosa de teres sido tu...
E agora obrigas-me a fazer o jornal das 12 h sem ti....

Esta é a última vez que falo para ti.....mas prometo-te...juro que vou falar sempre de ti...o teu nome perpetuar-se-á.....

Vou ter que me despedir Germano...

Germano Pacheco, meu mentor, meu colega....meu amigo... foi uma honra conhecer-te....Adeus...até sempre....